Casa Murphy Days

Murphyleuza, a diarista

Escrito por Mayara Godoy

Às vezes, Murphy incorpora outras pessoas. Por exemplo, a diarista.

A minha mudança para o apê não foi nada fácil. Claro, Murphy jamais me daria uma trégua. E nesse processo, surgiram muitas histórias que poderão oportunamente ser trazidas ao blog, para diversão de vocês, e minha infelicidade.

Mas, para mim, a mais simbólica de todas é a da diarista.

Depois de passada a pior fase da mudança e a casa já praticamente toda arrumada, namorido e eu resolvemos pegar uma diarista.

Eu sou totalmente meio pé atrás com empregada, mas precisava de uma, e na ilusão esperança de minimizar as chances de dar merda os riscos, peguei indicação com uma amiga, que tem uma diarista há anos. “Acho que essa é garantida”, pensei, num lapso de otimismo.

Primeiro dia dela: passei as instruções que precisava, mostrei a casa e fui trabalhar. Mal sabia eu o que me aguardava.

Ao chegar em casa, surpresa número um: ela já havia ido embora e deixado a chave com o porteiro. Já achei estranho, afinal, ainda eram 16h, e ela fora embora sem o pagamento.

Fui verificar a limpeza da casa e…

“We need lemon pledge!”

Foi quando veio a surpresa número dois: uma mancha no meu sofá novinho! Mas não era uma mancha, era uma puta mancha! E não era só uma puta mancha, era uma puta mancha de produto químico. E não era só uma puta mancha de produto químico (lemon pledge?), era uma puta mancha de produto químico que literalmente queimou o tecido!

Ou seja, na tentativa de impressionar na faxina, ela usou os produtos de limpeza mais fortes que havia na despensa (puros!!!) e deliberadamente derramou no chão. Numa dessas, sobrou uma esguichada no braço do sofá (já mencionei que é novinho, né?). Sofá esse que é objeto da minha paixão incontrolável, que ganhamos de presente dos meus pais, que eu sei que custou caro (como todo bom sofá hoje em dia), pois eu mesma escolhi, obviamente, e que tinha um mês de uso!

Bem, passada a depressão pós-traumática crise de choro, parti para uma solução. “Vou ligar para a fábrica, pedir para me mandarem um pedaço do tecido, depois mando numa estofaria reencapar”, planejei. Entrei em contato com a loja e eles intermediaram o contato com a fábrica, que é em outra cidade. No fim das contas, seria mais fácil (?) e barato (??) comprar um braço inteiro novo. Infalível, não? Bem… não para Murphy, o implacável.

Mais de um mês depois… recebo uma ligação da loja: “Senhora Mayara, a transportadora que trazia o braço do seu sofá, junto com outras encomendas, extraviou o braço”. Oi? Fiquei paralisada e quase não ouvi o resto da conversa.

Sim, meus preclaros, além de se fantasiar de diarista, Murphy, o incansável, ainda faz um bico como motorista de caminhão…

Ou seja, meu sofá novo continua manchado, sem previsão de “conserto”. E a faxina, que era para custar R$ 50, vai sair R$ 190 + muito estresse.

Ah, e vocês querem saber se eu matei a diarista? Não, não tive a oportunidade. Ela, misteriosamente, não quis mais trabalhar para mim. Fim.

Sobre o autor

Mayara Godoy

Palestrante de boteco. Internauta estressada. Blogueira frustrada. Sarcástica compulsiva. Corintiana (maloqueira) sofredora. Capricorniana com ascendente em Murphy. Síndrome de Professor Pasquale. Paciente como o Seo Saraiva. Estudiosa de cultura inútil. Internet junkie. Uma lady, só que não. Boca-suja incorrigível. Colunista de opiniões aleatórias. Especialista em nada com coisa nenhuma.

1 comentário

  • Na outra agência onde eu trabalhava, a diarista comia meu lanche, alisava a barriga e dizia: sabe como é, a fome é negra…

    Não tenho diarista, e como a casa não é minha, quem destrói o chuveiro, a caixa da descarga e quebra os copos sou eu mesma.