Crônico Repórter: como foi a CCXP 2017 pelos olhos de uma não-nerd

Você deve ter visto ou ouvido falar da CCXP – a Comic Con Experience, um evento de cultura pop, nerd, geek e gamer que vem sendo realizado em São Paulo nos últimos anos. Com certeza, se não está por dentro desse mundo, deve ter se deparado com alguma matéria de jornal falando dos cosplayers e das celebridades de séries e filmes, além dos artistas de quadrinhos e graphic novels que abrilhantaram o evento. Eu estive lá, e como uma não-nerd – e poser e mainstream, venho aqui contar pra vocês como foi a minha experiência. Está começando o Crônico Repórter – Nerd por um dia.

Começando pelo começo, a minha ida à CCXP se deve ao meu noivo: foi um presente para o meu nerd barbudo. Designer gráfico, meu barbudo faz ilustrações desde novinho, tem uma enorme coleção de quadrinhos e graphic novels, gosta da temática terror e de PS4. A Comic Con é um prato cheio para ele. Mas, e eu? Bem, tudo o que eu conheço de super heróis é baseado em filmes e séries. Só leio gibis e graphic novels da Turma da Mônica, e no máximo escuto Nerdcast. Dentro do público da CCXP, eu era uma farsa.

Então, como foi a minha experiência depois de encarar mais de uma hora de fila pra entrar no pavilhão da Comic Con? Foi assim como ver o mar a primeira vez…, diria Flavio Venturini. Mentira. Eu me senti mais mainstream e nada nerd do que nunca. Um momento que elucida bem isso foi quando ele, o Noivo Nerd, me chamou pra tirar uma foto em frente à Mistery Machine e eu não fazia ideia do que ele dizia. Juro que eu não sabia que esse era o nome do carro do desenho Scooby-Doo. Veja bem: eu assistia Scooby-Doo na minha infância. Eu só não liguei o nome ao carro, no caso. E daí foi só ladeira abaixo. Porque, além de não ser nerd, eu sou uma pessoa cansada, e tudo quanto era estande ou atração tinha filas enormes. Isso não é um exagero, tinha fila de horas até pra entrar na loja da Riachuelo.

Até o Night King percebeu que eu tava por fora…

Fomos ao Artists’ Alley, onde ilustradores e escritores vendiam seus produtos, davam autógrafos, faziam sketches, e mais uma vez: eu não sabia o que estava fazendo ali. Se eu conhecia uma meia dúzia de pessoas, era: a) porque eram muito famosos; b) porque fizeram alguma graphic novel da Turma da Mônica; ou c) porque era o filho da Laerte. No fundo, eu queria ter adquirido qualquer coisa de um daqueles caras, pra aprender a apreciar um pouco dessa arte, mas eu nem sabia por onde começar. E, por onde eu pensei em começar, achei que seria muito além do meu intelecto, daí desisti (busquem por Baiacu).

Como eu era uma outsider, aproveitei os momentos de descanso (leia-se: parada numa fila ou sentada tentando carregar o celular) para observar as pessoas que fazem parte desse mundo. Muitas Arlequinas, muitas Mulheres-Maravilha e estudantes japonesas. Muitas filas. Preços altos para qualquer coisa, e mesmo assim, lanchonetes e food trucks com muitas filas. Muitas pessoas famintas esperando por duas horas pra ganhar um pacote de Ruffles, e muitas filas. Muitos fãs de Harry Potter que esperaram quase meio dia para não conseguirem comprar nada porque a loja do HP estava vazia. Muitas filas.

Outro fato que me marcou neste dia – além daquele em que eu ouvi do meu barbudo “O que você está fazendo aqui?”, em referência à minha ignorância diante da Mistery Machine – foi quando fiquei sentada no estande da UOL (as melhores tomadas para carregar aparelhos estavam ali) e percebi o que podemos chamar de um fã stalker. Um cara de meia idade esperava impaciente para tirar foto com seus ídolos – dois nerds youtubbers. Até aí, você pode pensar que está tudo bem. Mas, não, não está tudo bem! O fã tinha uma camiseta com as fotos tiradas em eventos passados, com os mesmos ídolos, e em cada imagem havia a foto com a camiseta usada evento anterior. Era um inception da vida real. O sujeito não saiu do lugar – grudado em frente à cabine da UOL – enquanto não tirou outra foto com seus ídolos, e levou outra camiseta (preciso dizer que tinha uma foto nela?) pra ser autografada.

Até agora não sei como definir o que houve ali. Saí refletindo a respeito e ainda não cheguei a uma conclusão. Foi tão espantoso quanto a primeira vez em que eu vi um fã clube do Rezende Evil. E se esse evento serviu pra eu aprender algo, foi que infelizmente eu não pertenço a este universo, porque nem na fila do Mauricio de Sousa eu tive coragem de entrar. Só tirei foto com o Sansão gigante.

 

Falando sério:

Achei a organização do evento falha, fizeram várias filas para entrada no pavilhão, mas não eram liberadas por ordem de chegada. Quem comprou o ingresso Epic (que era mais caro) não achou vantajoso pelo custo. Cheguei a baixar o app da CCXP para acompanhar a programação e me localizar, e faltavam muitas informações, principalmente o mapa do evento.

Fui na quinta-feira e as atrações não eram lá essas coisas – talvez por isso as pessoas estivessem enfrentando filas para comprar loucamente. Quem deixou pra ir na sexta também se decepcionou com o cancelamento de atrações em cima da hora. Muitos paineis eram gravações, sem convidados ao vivo. E o local do evento é ruim de chegar, com muito trânsito – SP, né, mores?!, e com horas de fila para quem pegou o transfer da CCXP para o metrô. Se estiver pensando em ir na próxima edição, comece a se preparar para ter paciência. Mas, como o meu nerd não vai deixar de ser nerd, nos vemos em 2018!

Nascida num 20 de Outubro dos anos 80 com o espírito de uma old lady dos anos 50. Agente e blogueira de viagens, fã de Verissimo – o Luis Fernando – e Nelson, o Rodrigues. Poser. Amadora no ofício de cozinhar e fazer encenações cômicas baratas. Profissional na arte de cair nos bueiros da Lei de Murphy.