Tchau, Dolores

Dolores O’Riordan se foi. Não sei o porquê, se ela foi levada, ou se decidiu ir. Eu tinha acabado de secar meu cabelo quando meu bem me chamou na sala e perguntou: Você conhece uma banda chamada Cranberries? – depois de 8 anos vivendo juntos, a gente ainda tem muito o que conhecer um do outro – e eu comecei a falar que sim, eu conhecia, adorava e tinha até uma playlist no Spotify, e que eles fizeram um show que eu vi muitas vezes em DVD, e…fui interrompida rapidamente por um “ah, é que a vocalista morreu”. Acho que eu disse “ai, meu deus, a Dolores” e então foi isso. Tive aquela sensação de que uma pedra de gelo tava atravessada na minha garganta. Uma tristeza e muitas coisas engasgadas.

Antes de explicar qualquer coisa, tenho de ser honesta e dizer que eu não acompanhava a turnê da banda, nem sabia dos seus últimos lançamentos. Nem seguia a fanpage deles no Facebook ou qualquer coisa similar. Tanto que eu só soube da morte de Dolores às 10h da noite.

Mas, The Cranberries e Dolores são parte importante das minhas lembranças. Estão associados a momentos que eu nunca vou esquecer: quantas vezes eu assisti ao show Beneath the Skin em DVD, com meu tio, algumas cervejas, e talvez um churrasquinho? Perdi a conta. E, talvez, desse pra contar nos dedos quantas foram as ocasiões, mas eu gosto de pensar que foram infinitas – ou, pelo menos, o suficiente. Foi só no que consegui pensar: Dolores morreu, e lá ia mais um pedacinho do meu tio embora. Eu já o tinha perdido faz uns anos, e desde então eu nunca tive coragem de ver esse show de novo. Até ensaiei algumas vezes pedir à sua esposa o DVD, mas tinha medo de remexer nessas lembranças.

Ontem eu revi o show Beneath the Skin, com aquela Dolores magrinha, de dança robótica, e de uma das vozes mais lindas que a gente pode ter o prazer de ouvir nesse mundo. Quis me despedir dela, relembrar o que significa, e chorar um pouquinho, porque ela merece minha tristeza. Foi uma cantora especial, além de extraordinária, e não é sempre que a gente tem uma voz tão espetacular como trilha sonora de um momento feliz.

Na falta de uma música original que a represente perfeitamente, escolhi um cover que não é nada mais do que a sua pura e bela voz:

Tchau, Dolores. Obrigada por tudo.

Nascida num 20 de Outubro dos anos 80 com o espírito de uma old lady dos anos 50. Agente e blogueira de viagens, fã de Verissimo – o Luis Fernando – e Nelson, o Rodrigues. Poser. Amadora no ofício de cozinhar e fazer encenações cômicas baratas. Profissional na arte de cair nos bueiros da Lei de Murphy.