Pensamentos crônicos Tempestade de Cérebros

Chorar sorrindo

sadness
Escrito por Thigu Soares

Na vida real, nem sempre a gente pode se deixar levar pela tristeza. A gente aprende a chorar sorrindo.

Qualquer muro de sorrisos é capaz de esconder um interior devastado. Com o tempo, ficamos bons nisso. É quase como um ofício, que se aprende com o tempo e com a prática. Trabalho, família, pessoas. A vida, como um todo, nos obriga mais a parecer do que a ser. A gente finge.

Quem olha a fachada bela ou divertida de uma casa, não imagina qualquer ruína ou bagunça em seu interior. Às vezes, somos traídos pelas janelas indiscretas dos olhos, e nota-se algo fora de ordem lá dentro. 

Os móveis emocionais se arrastam sem parcimônia, arranhando o piso da sanidade e marcando paredes da memória sem que ninguém clame por ordem no recinto. Tudo vai ficando na mais absoluta desordem.

Encarar a vida exige encenação também. É como blefar em momentos adversos, sem que qualquer sinal de fraqueza possa ser percebido. É receber os golpes duros do cotidiano a seco, sem que o público perceba seus efeitos reais, e continuar a luta. Como um lutador que apanha, sorri e balança a cabeça para seu adversário.

Sua fachada há de permanecer intacta, como a única fortaleza de sua própria edificação. Ainda que o interior esteja caótico, o sorriso protegerá suas ruínas do mundo, ao menos enquanto for possível.

Afinal, nem sempre é possível se afogar em lágrimas libertadoras ou se deixar levar pela tristeza que assola. No mundo real, a gente aprende a chorar sorrindo.

Sobre o autor

Thigu Soares

Um ex-jovem sempre velho que sonhou ser escritor. Blogueiro bissexto, cronista por vocação, "publicizeiro" totalmente por acaso. Intenso, exagerado, mal humorado, ácido e corrosivo. Leal, amigo e um pouco mentiroso. Flamenguista, carioca e pai de dois Pugs lindos. Luto contra a balança e brigo com a tarja preta. Já quis salvar ou o mundo, mas dá muito trabalho, mas dá preguiça… Mesmo sem fazer isso direito, tento seguir rabiscando como dá. É bom pra combater ou manter a loucura.