Não precisa ser namoro

Ninguém precisa saber exatamente o que é para saber daquilo que é feito. Nenhum relacionamento carece de definição para que as partes envolvidas saibam o quando aquilo é bonito, intenso ou verdadeiro. Não precisa ser namoro.

Não é necessário que no infinito particular de um par, qualquer tipo de opinião ou convenção atrapalhe. Ainda que o ser humano se vicie em classificações e taxonomias, ou mesmo compreendendo que um título dê certa pompa, certo peso ou – para alguns – até mesmo certa segurança, tudo isso é superficial quando o que se vive é profundo.

Algumas das maiores e mais sinceras declarações de amor acontecem em silêncio. O amor não carece de placa, a paixão não precisa de uma tag envolvida.

Gritar ao mundo é gostoso, eu entendo. Eu concordo que seja realmente muito bom, até saudável. Acontece que o sonoro silêncio de quando os olhos se cruzam e se perdem um no outro tem mais poder. O mesmo serve para os sons – suaves ou não, abafados ou não – que tomam um quarto enquanto os corpos se entrelaçam, os olhos reviram e as cabeças se perdem. Como se as almas fossem sair dos corpos para um encontro em outro plano ou dimensão.

Quando as partes se bastam, as definições e suas supostas importâncias saltam pela janela. Quando os sorrisos saltam das bocas e os olhos brilham, qualquer convenção social parece fora de moda ou soa como se não bastasse. Não precisa ser namoro.

Caso realmente seja necessário torturar o clichê, recomendo e prefiro que isso seja feito com verdade. Que vivam o amor, que se entreguem a paixão! Sem medos ou restrições. Sejamos clichês! Sejam amantes de corpo e alma. Sem medo ou vergonha! Sem que nada mais importe.

Arranque um sorriso por dia, leve um café na cama, se importe com o dia do outro, diga como cada parte ou característica é importante e apaixonante. Façam suas vontade, criem e realizem planos e fantasias. Riam juntos e um do outro. Chorem de saudade, deixem o outro livre e também se sintam no direito de desejar que aquilo jamais tenha um fim.

Quando duas pessoas vivem querendo somar e viver suas vida, mas colecionam momentos que merecem a eternidade, qualquer classificação é minúscula. Tempos líquidos pedem relações sólidas em verdade e sentimento. Isso basta.

Um título “social” não garante brilho no olhar. É possível usá-lo, só não é obrigatório.

Para que seja verdadeiro e inesquecível, não precisa ser namoro. Basta que vocês sejam dois.

Um não jornalista frustrado que sonhou ser escritor. Blogueiro bissexto, cronista por vocação, botequeiro por aclamação e social media totalmente por acaso. Intenso, exagerado, mal humorado, ácido e corrosivo. Leal, amigo e um pouco mentiroso. Flamenguista, carioca e pai de dois Pugs lindos. Devorador de bacon e livros. Apaixonado pelos amigos e pela família. Já quis salvar o mundo, mas dá muito trabalho, escrever sempre foi tão mais fácil… Mesmo sem fazer isso direito.