Por uma vida mais desconectada

Não, gente, calma, eu não vou virar uma ermitã. Eu ainda gosto de tecnologia, sou usuária irremediável de internet e não estou em crise existencial.

Mas há momentos em que eu acho, sim, que a gente tem que ter uma vida mais desconectada.

Não é novidade pra ninguém – e existem inclusive diversos estudos que comprovam – que o uso excessivo de internet, redes sociais, apps, smartphones tem nos deixado doentes. No meu caso, o que mais afeta é a minha ansiedade.

Então, pra tentar levar uma vida mais focada, mais tranquila e com mais qualidade, eu me propus a reduzir o uso de internet – especialmente no celular.

Para isso, eu tive que tomar algumas atitudes não muito drásticas (como aquelas pessoas que simplesmente vivem completamente offline), mas importantes:

1. Menos Facebook

Uma das melhores coisas que eu fiz foi desinstalar o aplicativo do Facebook do meu celular. Por quê? Explico.

A rede do tio Zuckeberg representa, na minha opinião, tudo de mais odioso que existe na internet hoje em dia. Algoritmos manipulados com vistas apenas a gerar lucros, ambiente propício para proliferação de fake news, timeline poluída, entre outras coisas. Mas, não vou me estender nas críticas pra não desviar demais do assunto. “Tá, mas se é tão ruim assim, por que você ainda usa, Mayara?”. Eis uma boa pergunta, mas ela tem uma resposta: eu trabalho na área de Comunicação, e uma das minhas atividades se insere no campo das mídias sociais, então, como pra mim é uma ferramenta de trabalho, eu não posso simplesmente deletar o meu perfil lá – que é exatamente o que eu gostaria de fazer.

Mas, já que essa solução não é possível para mim, eu só desinstalei o app mesmo, e aí eu não o acesso quando não estou no trabalho. Acabo usando só no desktop mesmo, durante o expediente. Essa decisão não tem só a ver com o fato de eu não gostar da rede em si, mas também porque eu percebi que eu ficava checando os aplicativos de forma randômica: passava de um pra outro, depois começava o ciclo de novo, e perdia um tempão fazendo isso. Não era porque eu queria ver as atualizações, era um hábito quase inconsciente mesmo. Então, já eliminei um dos pontos críticos.

Outra atitude, que também diz respeito ao Facebook: eu não compartilho mais lá as fotos que posto no Instagram. Explico: primeiramente, eu acho redundante, porque quem já viu a foto no Instagram vai ver de novo a foto no Facebook sem necessidade. Segundamente porque eu estou tentando separar um pouco minha vida pessoal da minha vida online, então estou deixando o FB apenas para coisas mais ligadas ao trabalho ou a posts aleatórios sem, necessariamente, vinculação com a minha vida íntima.

2. Menos WhatsApp

Já em relação ao WhatsApp, que acho que deve ser um dos maiores vícios digitais da atualidade, eu desabilitei o tique azul de confirmação de leitura e também a informação de “visto por último”. Em resumo, é pra evitar um pouco de ansiedade e também pra preservar a minha privacidade – não, ninguém é obrigado a responder imediatamente.

Já escrevi um outro texto sobre isso que pode ser lido aqui.

Além disso, eu saí da maioria dos grupos. Só deixei mesmo aqueles que têm alguma necessidade e/ou utilidade (não levem a mal, galera).

3. Zero notificações

Já em linhas gerais, sem focar num app ou outro, uma coisa bem importante que eu fiz foi desabilitar as notificações do meu celular. Sim, TODAS elas. Nenhum aplicativo me envia notificação – nem mesmo aquela silenciosa que fica na barrinha de cima da tela. Nem WhatsApp, nem e-mail, nada. A única coisa que está ativada é a vibração de chamada mesmo – mas não me liguem, eu odeio falar ao telefone.

De resto, eu só vejo as notificações quando eu pego o celular para olhar e entro nos aplicativos para conferir – o que ocorre com bem menos frequência do que quando aquela coisa fica buzinando o tempo inteiro. Sim, em vários momentos eu acabo demorando mais para responder as pessoas (peço desculpas), mas, em minha defesa, isso me permite me focar muito mais nas coisas que eu realmente tenho que fazer. Caso contrário, a gente acaba sendo interrompido o tempo inteiro, e nem sempre é por algum motivo útil. Quem nunca parou um filme na metade para responder uma mensagem, ou se dispersou no meio de uma reunião de trabalho porque recebeu de algum amigo um meme completamente dispensável? Pois é.

4. Menos exposição

Também parei de fazer check-in nos lugares aonde eu vou. Antigamente, na época do quase extinto Foursquare, eu era absolutamente viciada em fazer check-in, de preferência com foto e tudo, e em ganhar os mayorships. Além de isso não me agregar nada, eu acabava expondo demais a minha vida. Acho bem desnecessário. Hoje, muita gente faz check-in no Facebook mesmo, e em alguns casos é pra conseguir acesso liberado ao wi-fi (uma dica: se você não quiser expor onde está, mas precisar do check-in para pegar wi-fi, poste com a privacidade para “somente eu”, e assim não aparecerá para ninguém).

No geral, também tiro menos fotos, tento viver o momento e ver os lugares através dos meus olhos, e não da lente da câmera. E também posto muito menos, seja na linha do tempo ou nos stories (que antes eram posts no Snapchat). Quando eu tiro, na maioria das vezes é pra guardar pra mim, de recordação mesmo. Mas, ninguém precisa ver a minha selfie todos os dias, muito menos saber que roupa eu estou usando, ou conferir tudo o que eu comi no café da manhã, almoço e janta, e controlar a minha rotina de academia, não é mesmo?

5. Próximos passos

Bem, ainda não cheguei ao meu ideal de “desconexão”, mas espero evoluir ainda mais neste quesito. Uma ideia que está na minha cabeça e quero tentar colocar em prática é estipular um “horário offline, ou seja, a partir das 21h, por exemplo, não olhar mais o celular,  não acessar nenhuma rede social. Creio que isso me permitirá investir em outras atividades, como ler mais, por exemplo, ou até mesmo dormir mais cedo. Acho que vale a tentativa. Se der certo, eu conto pra vocês.


E vocês, já fizeram algum “detox” de aplicativos e redes sociais? Se sim, me contem. Vamos compartilhar dicas e experiências.

P.S.: Caso tenham interesse, assistam ao documentário “Eis os Delírios do Mundo Conectado“, disponível na Netflix.

Palestrante de boteco. Tuiteira estressada. Blogueira frustrada. Sarcástica compulsiva. Corintiana (maloqueira) sofredora. Capricorniana com ascendente em Murphy. Síndrome de Professor Pasquale. Paciente como o Seo Saraiva. Estudiosa de cultura inútil. Internet junkie. Uma lady, só que não. Boca-suja incorrigível. Colunista de opiniões aleatórias. Especialista em nada com coisa nenhuma.